quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Cartas

Hoje decido começar a escrever.
Não será o meu livro de ficção baseado em fatos reais, nem minha novela, nem meu seriado, nem a saga de uma família de imigrantes alemães e tampouco a trilogia bibliográfica de Maria Helena Fittipaldi.
Escreverei cartas... cartas que nunca serão enviadas... quando eu morrer, se você estiver vivo, quem sabe terá uma para você... quem sabe várias... quem sabe se só terão cartas para você?
Mas se não houver nenhuma, por favor, não se entristeça... possivelmente eu disse em vida tudo o quê queria dizer, te amei como deveria amar, te respeitei como deveria respeitar, agi como deveria ter agido, fui amiga fiel como pretendi ter sido, te contei meus sonhos, dividi minhas tristezas, compartilhei da minha alegria, te pedi desculpas pelos meus erros, da mesma forma que já rimos muito, que brincamos com a vida, que tiramos sarro das mediocridades desse mundo, que sonhamos, cantamos, planejamos coisas e brindamos juntos! E aposto que brindamos muitas vezes!!!

Tarô Osho Zen - 74.Paciência

"Nós nos esquecemos de como esperar; este é um espaço quase abandonado. No entanto, ser capaz de esperar pelo momento certo é o nosso maior tesouro. A existência inteira espera pelo momento certo. Até as árvores sabem disso -- qual é o momento de florescer, e o de deixar que as folhas caiam, e de se erguerem nuas ao céu. Também nessa nudez elas são belas, esperando pela nova folhagem com grande confiança de que as folhas velhas tenham caído, e de que as novas logo estarão chegando. E as folhas novas começarão a crescer.Nós nos esquecemos de como é esperar: queremos tudo com pressa. Trata-se de uma grande perda para a humanidade...Em silêncio e à espera, alguma coisa dentro de você vai crescendo -- o seu autêntico ser. Um dia ele salta e se transforma numa labareda, e a sua personalidade inteira é estilhaçada: você é um novo homem. E esse novo homem sabe o que é uma cerimônia, esse novo homem conhece os sumos eternos da vida."
Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 10

Comentário:
"Há momentos em que a única coisa a fazer é esperar. A semente já foi plantada, a criança está crescendo no útero, a ostra está cobrindo o grão de areia, transformando-o em uma pérola. Esta carta nos lembra de que este é um momento em que tudo o que se requer é manter-se simplesmente atento, paciente, à espera. A mulher retratada na carta está justamente nessa atitude. Satisfeita, sem sinais de ansiedade, ela está apenas à espera. Ao longo de todas as fases da lua que se sucedem no alto, ela permanece paciente, tão sintonizada com os ritmos da lua, que quase se confunde com ela. A mulher sabe que esta é uma época para permanecer na passividade, deixando que a natureza siga o seu caminho. Não está, porém, com expressão de sono, nem indiferente; sabe que é tempo de se preparar para alguma coisa importante. Trata-se de um período repleto de mistério, como as horas que antecedem o amanhecer. É um tempo em que a única coisa a fazer, é esperar."

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Natureza Sexy

Brincando de voyer, testando a luz... alguns movimentos lentos para encontrar o inesperado e, aos poucos, as surpresas... brilho intenso de uma pele lisa e curvas se insinuando em posições atraentes, a lente capta intimidades e sedução que se revelam através da natureza, pela forma de um pimentão.

sábado, 17 de outubro de 2009

Passando ao Amor Digital

A paixão é um sentimento ardente, quente, vibrante e vem acompanhada de um menu de desejos pessoais que queremos satisfazer ou da pessoa que gostaríamos de ser. Aquele por quem nos apaixonamos é o espelho refletido de nossas projeções essenciais, ou daquilo que somos e ainda não conseguimos despertar ou do que jamais seremos, mas admiramos.
A química da paixão é um feitiço, que muitas vezes acaba rápido, outras vezes não e que de vez em quando se transforma em amor. Inevitavelmente, com o tempo, independente do desenrolar do relacionamento, é possível perceber que a paixão foi só uma isca de união, se mostrando um grande aprendizado para a maturidade ou um belo instrumento de manutenção do amor se ambos olharem para a verdade em seus corações. Nesse último caso a tendência é um relacionamento duradouro, onde ambos se preocupam com o crescimento pessoal, profissional e espiritual do outro e assim crescem juntos, constroem juntos uma vida de harmonia e prazer e criam uma esfera de energia que será transmitida ao mundo.
Eu vivi um amor assim, que começou com uma curiosidade e admiração. Era uma paixão proibida, eu era uma criança ainda e meu objeto de admiração tinha dono, muito mais maduro, alguém experiente que já sabia lidar com suas necessidades e possibilidades. Havia envolvimento entre eles!
Cresci e muitas foram minhas paixões... muitas coisas contribuíram para construir a pessoa que vinha se desenvolvendo.
Num determinado momento da vida, realizei meu sonho infantil. Após ler "A Mulher de 30", vivi aquela paixão antiga, com permissão e apoio de seu dono. Meu pai me cedeu sua Nikon FG e todo equipamento complementar para que eu fizesse um curso de fotografia na Escola Panamericana de Arte. Ele realizava meu sonho de possuir a câmera e eu realizava o sonho dele de fazer aquele curso, naquela escola.
O amor brotou entre nós. Ela era cúmplice de minhas visões, idéias, pensamentos, sentimentos e emoções. Eu era desajeitada, ignorante, imatura e muitas vezes não a tratei como merecia por impulsividade e desconhecimento, atitudes próprias de quem é inexperiente numa relação, mas ela sempre me perdoava e esperava meu tempo de aprendizado. Só quem não se perdoava era eu, quando terminava uma sessão inteira e depois via que não a tinha alimentado com filme. Ou que ao enrolar o filme errado, perdia todo nosso trabalho, tão bem desempenhado ( mais por ela). Ela sempre trabalhava arduamente durante a semana tentando captar da forma mais fiel os congelamentos de minhas melhores visões e jamais me deixou na mão. Toda sexta-feira ela me aguardava dentro do laboratório escuro e silencioso torcendo para que eu ficasse feliz e satisfeita em ver nossas imagens captadas surgirem magicamente, pouco a pouco no papel dentro de uma bacia de químicos, iluminadas somente por uma luz vermelha de baixíssima intensidade. Nasciam nossas fotografias!
Infelizmente, somos de gerações diferentes. Fui a última geração da câmera manual na escola e resisti bravamente a digital por amor e fidelidade a mágica da fotografia.
As pessoas, impiedosas, criticavam nosso relacionamento e talvez por se sentir mais responsável do que eu, minha Nikon FG entrou em coma profundo.
Me senti uma traidora, mas precisei me atualizar e comprar uma Nikon D60 para começar a brincar de digital. Não conseguia me entender com ela. Quando não existe química a primeira vista, não é possível iniciar um relacionamento. Da mesma forma que é possível iniciar um relacionamento quando ainda amamos outra pessoa. Muito difícil essa situação, ser obrigada a se apaixonar... sentia raiva e medo ao mesmo tempo!
Estava me sentindo a própria mulher que foi prometida a um casamento, pela família. Agh!
Passado um ano de familiarização com a idéia desse casamento imposto, comecei a enxergar o noivo com outros olhos. Percebi que era bonito, jovem, moderno, cheio de recursos, que poderia me ensinar bastante, facilitar minha vida e me fazer mudar conceitos e padrões. Resolvi me entregar de corpo e alma a minha nova câmera fotográfica digital, a Nikon D60.
Confesso que ela já tem me conquistado, acho que bastará uma sessão de fotos românticas pela Europa, para ela me fisgar de vez!

Sem combustível no carro e sem bateria no celular - é o fim?!?

Quinta-feira, ia eu embaixo de chuva visitar um cliente.
Saindo de casa, ao entrar na primeira rua; rua estreita, curva e por incrível que pareça, mão dupla, quase bati de frente com outro carro que vinha entrando. Dei ré e risada porque isso acontece de vez em quando e sempre acho engraçado levar o susto e não bater!!! Em seguida fui dar um sorriso e fazer um sinal de agradecimento para a mulher, mas ela estava a postos para me xingar, já xingando. Não satisfeita, ela passou por mim em outra rua e me xingou novamente. Não tenho tolerado mais essas injustiças sociais e não tenho tolerado mais nenhuma injustiça contra mim. Por muito tempo não reagi, mas justamente agora que aprendo a "não reagir" pela Cabala, ando totalmente reativa nesse sentido. A Cabala também fala de que se você nunca revida, "não reagir" significa em algum momento revidar, se posicionar. Talvez seja isso que esteja acontecendo comigo, uma auto-valorização em vários níveis. Então, tirei a cabeça para fora e disse: "é mão dupla sua idiota!" com vontade, claro, de arrebentar a cara dela até ela pedir desculpas pela ignorância e malcriação. Sempre há ignorância onde há algum tipo de agressão, percebam... a maldade acontece por causa do desconhecimento de algum aspecto de uma situação ou de si próprio. Bom, é o xarope do "ego" de novo, esse cara mala que está em todas!
Respiro, rezo, me arrependo de ter me desequilibrado e continuo, no trânsito patético. Eis que quando estou perto do cliente, em plena Av. Sena Madureira, meu carro para, simplesmente para na pista do meio atrapalhando bem o fluxo, que emoção! Um guarda rapidamente veio me ajudar a encostar e acionei o seguro, pois a luz da bateria se acendia quando tentava ligar o motor. Meu pânico foi ver que estava ficando sem bateria no celular. A chuva continuava e eu louca procurando músicas no rádio. Tenho um problema de descompensação, não consigo parar de clicar em várias rádios até pegar uma música que queira ouvir. Naquele momento queria ouvir "Lucky" e nada. O menino não chegava, já fazia quase meia hora que eu estava ali naquele exercício de áudio. Desisti, deixei rolar a "Antena Um - 94,7" que sempre me agrada.
Passei ao exercício de meditar sobre a vida. Comecei olhar em volta e percebi que estava uma delícia ficar dentro do carro, com chuva, ouvindo música, totalmente impotente! Que sensação deliciosa! Estava imobilizada, estava sozinha comigo, na rua, numa manhã de quinta-feira chuvosa! Percebendo nitidamente, eu estava completamente relaxada. Nesse momento começa a tocar... "Lucky"... uau, lucky me! Então eu olhei para minha agenda aberta no banco do passageiro, com o cartão da seguradora jogado em cima, o celular com um mínimo de bateria e pensei: "Minha vida material está só refletindo o que está acontecendo comigo internamente. Estou sem bateria!"
Nesse momento o socorro chegou e não era bateria. Precisei chamar o guincho, tive que usar o celular no limite para conseguir um endereço de mecânico e após resolver tudo o coitado do telefone desmaiou.
Agora vem a parte deliciosamente ridícula da estória. O carro estava sem combustível! O computador de bordo quebrou faz um tempo e não marca nada, eu controlo o combustível pela quilometragem rodada e daria para andar, pelo menos, uns 100 km ainda. Isso significa que até meu carro está sem energia e que preciso somente reformular a minha constatação: "Minha vida material está só refletindo o que está acontecendo comigo internamente. Estou sem combustível e sem bateria!!!"

Acontece que pifar não é o fim... é o começo! É só um sinal...

Para qualquer aspecto da minha vida que esteja desgastado, não há mais energia para continuar, não há energia para lutar, não há qualquer desejo de permanecer ou de querer me segurar qualquer coisa.
Descobri que relaxar na impotência traz prazer e bem estar. É desse relaxamento na impotência que o ego some e dá espaço para a alma dançar livremente no vazio da existência. E é justamente nesse espaço que há um mundo infinito de energia disponível para criar.
Eu quero criar! Eu quero brincar! Pintar e bordar! Quero, pelo menos, tentar...